24 de mai. de 2011

A defasagem.

Eu não nasci, fui deslocada de órbita. Não sei o que passa na minha mente, mas não entendo nem fudendo essa banalização de tudo; é normal o menino dançando no sinal, o cara pedindo um troco no ônibus, essa gente toda abrindo o lixo pra achar o que comer, o seu nojo do flanelinha que fede porque não tomou banho, a falta de educação, a falta de respeito, parece que ninguém enxerga um palmo a frente, a humanidade está fechando os olhos diante de si mesma. Ninguém se vê realmente, é tudo na base de paradigmas, de convenções socias filhas da puta, não sei qual o meu problema mas isso não me desce a garganta! Cada vez que preciso sair, volto pra casa com essa desilusão, com essa decepção; Não, eu não entendo e me nego definitivamente a fazer parte dessa hipocrisia, dessa nojeira que todo mundo chama de sociedade; eu me nego a fazer parte de uma classe que oprime, que despreza aquele que foge à norma, que se julga superior porque tem uma roupa melhor, que acha normal a desgraça do outro; que mundo é esse, que gente é essa? E se fosse sua mãe, seu pai, você no meio daquele lixo? E se fosse pra você que ninguém olhasse nos olhos? E se fosse seu filho dormindo no meio da rua em cima de um papelão? Ninguém escolhe essa vida, ninguém acha melhor viver do perigo, da miséria e da fome. Porque a gente não olha ao redor e para pra ver que aquilo no meio do lixo é homem, é gente, é mulher igual a mim e a você.

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